Fui à praiaApanhei um búzioCheguei a casaEm cima da mesa o púzioZézé, o garanhão das Sete Colinas
Já faltava um pouco de poesia a este blogue. Com efeito, Zézé, o maior poeta machão das últimas décadas oferece-nos um simples verso, porém revelador da sua qualidade artística: note-se a soberba analogia búzio\caracol, um dos símbolos maiores da masculinidade. Na verdade, macho que é macho gosta de acompanhar a sua mini com um prato de caracóis ou caracoletas. O que é que nos atrai neste bicho? Desconheço. Fica a pergunta...
Outra característica singular desta obra de arte é o verbo
púzio. Note-se como o poeta introduz o linguajar de taberna, construindo assim uma escrita brejeira, bem ao gosto popular. Ao utilizar essa variante tradicional do verbo pôr, o poeta sublinha a complexidade da nossa língua materna, conferindo a este poema um estilo simultaneamente lírico e tasqueiro.
Zézé é um poeta brilhante. A sua obra, ainda que em fase inicial, apresenta-nos algumas das questões fundamentais do nosso tempo; de facto, a obra deste grande poeta lança um olhar profundo sobre a vida e sobre as particularidades do Macho. Tenho a maior admiração por este Pessoa da Bifana, o nosso Nobel da Literatura de Tasca. Obrigado Poeta!
ps. Dada a quantidade emergente de poetas machos, dedicarei alguns dos próximos posts a acções de divulgação cultural. Desta forma, não percam o próximo post sobre um poeta igualmente genial, porém num estilo mais sentimental e metafórico. Abraço a todos!